Onda de aceitação ou tsunami de igualdade?

Domingo ao fim da tarde fui à 2ª Parada Livre de Canoas (município onde resido), cujo tema foi “Por uma Canoas sem homofobia”. Devo confessar que não vi nada demais nem nada de menos. Claro que é legal que os espaços sejam abertos para o público LGBT, não quero me posicionar contra o tipo de parada já existente, mas sim a favor de uma reestruturação da mesma.
Existem homossexuais em diversas áreas de atuação na sociedade e acredito que valorizá-los seria mais interessante para nossas comunidades do que apenas apresentarmos shows com travestis. Antes que a questão seja levantada, já afirmo que não sou contra essas performances, mas tudo que vemos nas paradas se resume a isso.
Sou mais a favor de um “Dia da Igualdade” contra a homofobia. Poderíamos nos mostrar mais ativos em nossa sociedade, mostrando que não somos muito diferentes dela. Oferecer workshops, palestras, exposições, feiras e muitas outras atividades de profissionais gays de diferentes campos de trabalho é um bom começo. Temos muitos escritores, fotógrafos, músicos, publicitários, jornalistas, professores, artistas plásticos, arquitetos, enfermeiros, biólogos e diversos outros ramos de atuação que podem muito bem dar um show de profissionalismo e igualdade expondo seus trabalhos às comunidades locais. Programas de arrecadação de alimentos, agasalhos, brinquedos, livros e muito mais pode ser feito para que possamos demonstrar a que viemos em nossa sociedade. Não precisamos ser Divas ídolos nos palcos se formos heróis no dia a dia. Afinal de contas nem só de purpurina e glamour vive a sociedade gay.
Através de shows, como os oferecidos domingo em Canoas, mostramos uma certa limitação e adquirimos (ao meu ver) admiração e respeito restrito aos palcos e aos dias deste tipo de evento. Não quero ser visto como um homossexual que luta contra a maré do preconceito e sim como alguém que movimenta um tsunami de igualdade. Se nos mostrarmos iguais, a homofobia entra em extinção SIM! Não posso pensar apenas que o que vier após uma parada livre é lucro pois sou a favor do melhor para mim, para o meu próximo e para a sociedade que faço parte. E tu? Preferes uma onda de aceitação ou um tsunami de igualdade?

Crônicay 3 – As preciosas diferenças

O mundo é cheio de pessoas completamente diferentes. Diversas raças, etnias, gostos, classes sociais, condições e um infinito leque de diversidades. Geralmente estas diferenças são o que nos atrai em um parceiro (ou candidato) para nos completar, mas estas mesmas nos levam à loucura às vezes. Casais de diversos tipos tentam superar e se adequar às necessidades e gostos um do outro. Com Bruno e Raphael não poderia ser diferente.

Como a maioria dos casais, os dois não gostam do mesmo tipo de música, filme e literatura. Raphael curte sertanejo universitário, ficção científica, medicina e casos policiais. Bruno gosta de pop, comédias românticas, livros sobre conflitos nos relacionamentos e crônicas do cotidiano. Raphael é do tipo que consegue ficar horas na internet se dedicando a pesquisas, quase um geek. Enquanto isso Bruno não consegue dizer não a um passeio com os amigos e uns drinks. Ele também curte misticismo e valoriza mais o que sente do que aquilo que vê, já Raphael quase sempre busca o significado e o porquê das coisas. Tudo isso somado ao dia a dia de um casal pode ser muito estressante e causar incontáveis birras. Mas diferentemente de muitos casais, eles dialogam mais, colocam-se no lugar um do outro e assim se entendem. O amor que os dois cultivam os motiva a vencer qualquer empecilho. Não poderia ser de outra forma. Quem quer ter ao seu lado uma cópia fiel aos seus caprichos e gostos? Seria de fato tedioso passar mais de quatro horas ao lado de alguém assim (ao menos para mim parece assustador).

Embora eles sejam jovens e o relacionamento tenha apenas dois anos e três meses, eles são o tipo de casal que faz todos dizerem – eles ficarão juntos para sempre. E é assim que acredito que todo casal deve ser, aliás penso que nosso relacionamento com tudo no mundo tem de ser assim: buscando sempre o equilíbrio. Todos nós precisamos, sempre, aprender a conviver com as diferenças. Em todos os setores de nossas vidas, as encontramos e nunca deixarão de surgir. É óbvio que é ótimo conseguir algo de maneira fácil e rápida (sem muito trabalho), mas algo que nos exige mais esforço nos gera orgulho e isso é um poderoso alimento ao “eu” de cada um de nós. Que aprendamos a amar as diferenças, pois não precisamos ter os mesmos interesses para ser feliz ao lado de quem amamos.

Crônicay 2 – Twitteiros: positivos, negativos ou conformados?

Observando posts no twitter e analisando os meus próprios, me deparei com uma batalha. Tenho observado há meses a mesma coisa. Fulano que reclama do sicrano, beltrano que não aguenta as mensagens “boas demais” do fulano, e muitos outros reclames do gênero. O que irrita mais os twitteiros: twits de uma pessoa resmungona sempre a reclamar ou de alguém positivo demais e sempre de bem?
Com base em minha timeline eu diria que a segunda opção pode ser mais assustadora. Hoje em dia as pessoas estão mais habituadas a ouvir e ler protestos e inconformidades sobre a vida. Todo mundo tem do que reclamar, a sociedade nos insinua o tempo todo que devemos fazê-lo para a situação melhorar. É mais cômodo se identificar com o que há de ruim na vida de alguém. Os ídolos mais sofridos e insatisfeitos são os mais cultuados na sociedade contemporânea, isso é inegável. Quem hoje em dia gosta de estar cercados de pessoas passivas que observam tudo acontecer ao seu redor e apenas dizem amém? Ninguém, não é?! O problema de 80% das pessoas que reclamam (ao meu ver) é que só reclamam, reclamam, reclamam e reclamam. Antigamente quem reclamava pintava a cara, erguia a faixa, lutava por sua causa e não se limitava a apenas expor os problemas e dificuldades para amigos e seguidores via web. Mas ao mesmo tempo que existe um grande grupo de pessoas movidas pela insatisfação há , ainda que contra a correnteza, uma onda de pessoas cansadas com a supervalorização dos problemas do cotidiano e dispostas a espalhar uma forma mais leve de ver e encarar a vida. Não que não tenham os mesmos (ou ás vezes até mais) problemas, mas apenas optam por ser positivos em relação aos mesmos e dar a cara a tapa ao sorrir diante das merdas. Este positivismo as move a correr atrás, lutar pelo que julgam justo e trabalhar mais para se dar ao luxo de receber mais e assim reclamar menos. São essas pessoas que entram em conflito direto com as pessoas citadas anteriormente (sejam as que resmungam ou as que nada fazem).

Será que é mesmo tão intolerável permitir-se ser feliz e positivo, no mínimo 90% do dia? Eu sou total do lado mais positivista da coisa, é mais divertido rir do trágico e usufruir dele para tratá-lo como mera ironia do destino. A vítima está em extinção. Embora estejamos todos nessa “canoa furada remando contra a maré” a forma de encarar as turbulências é opcional e nem todos estão prontos pra aceitar pessoas hiper positivas, e na maioria das vezes ativas (que fazem acontecer e não esperam dar errado). Pode ser que não seja possível acordar todos os dias sorrindo, mas de fato é tentando que se chega lá. Em qual dos tipos de chatos tu queres te enquadrar: positivo, negativo ou conformado?

Crônicay = Crônicas Gays n°1

Infantilidade Adulta

Bruno e Raphael são um casal (há dois anos e quatro meses), um casal diferente (Bruno acredita). Sempre muito admirados por todos que os conhecem, talvez por brigarem pouco, talvez por serem compreensivos um com o outro (diferentemente da maioria dos casais hoje em dia) ou talvez apenas por encararem seu relacionamento de maneira madura para jovens na faixa dos vinte e poucos anos. Jonas e Wagner há pouco deixaram de ser um casal, seu relacionamento de três anos foi cheio de altos e baixos, muitas idas e vindas e crises constantes por ciúmes e coisas do gênero. O que os dois casais citados têm em comum alem de serem gays? A infantilidade adulta, infantilidade esta que também os torna completamente diferentes.

Recentemente Jonas conheceu Bruno na faculdade, aos poucos começaram a conversar e então dividir comentários sobre suas vidas. Jonas contou alguns altos e baixos de seu relacionamento (atualmente inexistente) com Wagner e todos os baphos (sim, com ph, pois na comunidade gay quando o caso é sério geralmente escrevemos desta forma) e atualmente algo engraçado aconteceu envolvendo outro amigo de Bruno, o Tiago.
Após romper com Jonas, Wagner deixou de falar completamente com ele e tornou-se mais próximo de Tiago. Tão próximo que um dia desses o convidou para dormir em sua casa. Algum tempo depois Tiago postou em seu twitter estar sendo vigiado pelo ursinho de pelúcia de Wagner (ursinho este que é um presente de Jonas dado a ele durante o namoro). Jonas precipitadamente encheu o twitter de indiretas ao Wagner e pirou com a possibilidade dele ter emprestado ou dado o presente para outra pessoa. Horas depois Wagner simplesmente twittou ter rido muito de “certas situações” e que estava indo dormir na companhia de seu urso de pelúcia adorado. Ciúmes ou infantilidade? Sim, os dois.

Enquanto a infantilidade de alguns é expressa na forma de encarar o relacionamento (ou na falta de habilidade de fazê-lo), para outros ela se limita ao tratamento carinhoso. Bruno e Raphael tem um relacionamento repleto de carinhos e tratamentos infantis, assim como muitos casais eles possuem um vocabulário próprio e todas aquelas esquisitices que na verdade são lindas quando se está apaixonado. É fato que todos ficamos bobos no inicio do namoro e usamos muito termos que aos ouvidos alheios soam hilários. Um exemplo disso é Bruno chamar Raphael de “Kelelho” e Raphael chama-lo de “Urso”, ou (mais engraçado ainda) usarem sempre o zi antes de alguma palavra: ziLindo, ziCasa, ziBom. Pra alguns é brega e para outros é romântico. É infantil? É, mas antes uma infantilidade saudável e carinho que as birras infantis tão comuns aos relacionamentos de hoje.

 

 

Obs: Os casos descritos acima são verídicos, talvez um pouco mais exagerados, mas reais. Os verdadeiros nomes foram trocados e serão omitidos. Se tu conheces algum deles vamos manter este segredo, ok?! 😉

 

Enquete nº1: os casais gays hoje em dia são livres?

Há tempos eu e meu namorado não temos saído muito, quando saímos vamos ao shopping ou a alguma praça. Bem, aonde quero chegar é: depois de alguns traumas (como o já comentado em um post anterior), não sei se ainda tenho a coragem (que um dia tive) de andar de mãos dadas feliz e tranquilo sem medo de que algum ignorante nos incomode. Então parei pra refletir e lembrei que já nem me lembro a ultima vez que vi um casal homossexual andando livremente (e assumidamente) como casal. Claro que se formos aos domingos ao Parque Farroupilha (famosa Redenção, aqui em Porto Alegre) veremos casais homossexuais livres até demais, mas isso tem texto suficiente pro próximo post (que já está sendo preparado). Mas fora os locais de comum frequência GLS, onde mais podemos e devemos nos sentir livres para expressar amor pelos nosso companheiros.

Hoje então decidi propor aos leitores do blog uma enquete, e peço humildemente que a divulguem (pois será de grande ajuda para um de meus projetos). Quero saber se os casais gays hoje em dia são livres a ponto de andar como um casal comum na rua.

Sintam-se livres para fazerem comentários também, aqui ou pelo twitter @monologay

Liberdade SIM, libertinagem NÃO!

Após aproximadamente um ano sem postar qualquer nota da razão pela qual não segui adiante com o blog, decidi hoje retomar as atividades com um post que escrevi há meses (mais precisamente no dia 14/06/2010) e por desleixo acabei por não postá-lo. Hoje altero algumas coisas nele e acrescento outras no texto que segue:

-Eu não poderia voltar a escrever aqui sem dar um bom motivo por ter ficado tanto tempo sem fazê-lo. Então decidi expressar o que sinto: sinto que tenho lutado por uma causa mal posicionada. Claro que é ótimo todo o indivíduo lutar por sua causa (e eu encorajo qualquer um ao mesmo), mas percebi que escolhi lutar pela causa de milhões de pessoas. Pessoas estas que (a meu ver) infelizmente tem perdido a razão. Deixamos de ser admirados por amar alguém da mesma condição sexual para adquirir uma imagem promiscua de quem está sempre tentando enfiar o sexo livre goela abaixo de quem mal nos aceitou como seres humanos. Deixamos de ser encarados como aberrações sentimentais para nos tornarmos aberrações sexuais. Sou completamente a favor da parada gay pela luta de igualdade entre todos (sejam de diferentes raças, sexo ou crenças), mas pela igualdade de poder ter um emprego digno, direito ao casamento e todo o resto que todo ser humano deveria deve ter. Essa igualdade que tanto lutamos a favor, também tem sido pregada como liberdade, porém nossas paradas gays tem a imagem de luta pela libertinagem. Não queremos o direito de poder andar de sunga nas ruas com a silhueta do pênis a mostra. Não sei quanto a quem está lendo este post, mas eu quero poder andar de mãos dadas com meu namorado na rua sem receber hostilidades (como já relatei em um post anterior), não ser minimizado em meu emprego pela condição de homossexual, quero poder adotar uma criança, quero poder ser IGUAL! Até que ponto as pessoas levam a sério alguém que luta por seu espaço invadindo o espaço dos outros?! Ninguém nos admira ou considera por movimentos deste tipo.
Deixemos a excentricidade para a Lady Gaga, a Björk e quem mais possa pagar (ou ser patrocinado) por ela. TODOS SOMOS DIFERENTES, MAS QUEREMOS DIREITOS IGUAIS!

Discriminação na Universidade agora é moda

Tenho esperado a poeira baixar para atualizar o blog, em função da correria com a faculdade. Nesse meio tempo houve um acontecimento, no mínimo aborrecedor, numa bela terça-feira: estávamos meu namorado e eu em frente ao salão de atos da Universidade onde estudo(faço Letras com habilitação em Inglês). Não sei nem o motivo mas decidi ir para uma parte mais reservada pois era horário de saída das crianças e preferi não ficar muito á vista(embora eu acredite que tenho todo o direito de namorar onde eu bem entender). Respeitosamente nos beijamos, afinal de contas é raro nos vermos em um dia de semana, ficamos muito felizes de poder matar a saudade nas clássicas fugidinhas(quando o tempo nos permite que essas ocorram). Ouvi uns assovios(do tipo quando alguem quer chamar), mas não dei muita atenção. De repente aparece um irmão da instituição(sim é uma universidade católica, embora eu seja pagão) e questiona o fato de estarmos ali e eu educadamente respondi que sou universitário e estudo ali. Ele questionou meu curso e eu respondi, ele ficou espantado e então lembrei que ele é um professor super reconhecido da instituição e terei algumas cadeiras com ele ainda(leia-se: deu merda). O homem simplesmente demonstrou um surto, falei que estava aguardando a aula começar e meu namorado estava ali pois no mesmo dia se inscreveu para o vestibular, mas o “irmão” disse que não deveríamos estar ali. Levantei-me para questiona-lo e ele seguiu resmungando. Fui até a coordenadora de curso(que é uma pessoa admirável a qual estimo muito) e ela me recomendou não fazer bafão, apenas registrar queixa no SAAC. Fomos registrar a queixa e eu tremia de raiva, foi super difícil manter o controle. Ao registrar a queixa a moça me falou que em até 48h me dariam o retorno por e-mail. “OK”! Passaram-se dez dias e então liguei e pedi retorno e me disseram que checariam o ocorrido e dariam retorno. Acho importante salientar que eles nem se dão a dedicação de dar um comprovante de registro de queixa no setor responsável. Mais alguns dias se passaram, se não fosse eu perder uma pasta com minha renovação de contrato de estágio(que fez com que o SAAC me ligasse pra eu retirar o item perdido lá) acho que eu estaria aguardando resposta até agora. Ao retirar a pasta, a moça(a mesma que atendeu quando registrei a queixa da discriminação) disse que o parecer da instituição é que todos os padres se comportariam daquela forma pois é algo da educação deles, mesmo se fossem casais héteros eles fariam o mesmo e também nós estávamos em frente a parte onde eles residem. Já cansei de pensar e re-pensar acerca desse fato.
Não sei se há atitudes a serem tomadas e nem quais seriam. Pra mim seria o suficiente se a instituição determinasse que o professor deve no mínimo retratar-se, pois independente da crença ou educação isso foi um ato de discriminação. Só sei que a Universidade(cujo nome estou me segurando para não divulgar e tornar isso público) perdeu todos os pontos positivos que tinha comigo.