RETROSPECTIVA MONOLOGAY 2010

Embora eu tenha por muito tempo abandonado o blog e retomado em meados de 2010, devo admitir que foi um ano produtivo. Ainda há muitos posts por serem editados e alguns artigos que estou guardando para o livro que (se tudo der certo) este ano será lançado.
O hábito de fazer retrospectivas faz parte do “Ritual de Ano Novo” que as pessoas costumam fazer para reavaliar metas e conquistas. Comigo não haveria de ser diferente. Então aqui vai a retrospectiva monologay.

RETROSPECTIVA MONOLOGAY

Além dos inúmeros contatos que o blog me proporcionou, seja por e-mail ( monologay@gmail.com ) ou por twitter ( @monologay ), o ano de 2010 me trouxe a esperança de que um dia a desigualdade acabe, pude sentir que não estou fazendo este movimento sozinho, que todo e qualquer esforço será SIM recompensado.
Pra encerrar de vez 2010 organizo aqui links diretos dos post deste ano:

Liberdade SIM, libertinagem NÃO! http://migre.me/3msvf

Enquete nº1: os casais gays hoje em dia são livres? http://migre.me/3mtMq

Crônicay = Crônicas Gays n°1 – Infantilidade Adulta http://migre.me/3mtUB

Crônicay 2 – Twitteiros: positivos, negativos ou conformados? http://migre.me/3mxfJ

Crônicay 3 – As preciosas diferenças http://migre.me/3mxiG

Onda de aceitação ou tsunami de igualdade? http://migre.me/3mxmL

Orgulho gay, hétero, bi … todos são démodé http://migre.me/3mxr7

Um brinde ao amor http://migre.me/3mxzy

Queimem as bixas, deixa queimar… http://migre.me/3mxCm

Dicay: Livro – SEXO: MUITO PRAZER 2 http://migre.me/3mxED

Nem todos os gays… http://migre.me/3mxHY

A essência antes de qualquer influência http://migre.me/3mxLX

Que todos tenham um excelente 2011! Começo o meu com uns dias de férias, mas em breve mais posts!

@monologay @braianavila


A essência antes de qualquer influência

Se há uma bobagem que ouço desde cedo (em casa) essa ignorância é dizer que gays são “formados” (sim, é este o termo que sempre ouvi) a partir da falta de exemplos masculinos. Ledo engano de pessoas com o mínimo de formação e informação. Fui criado por duas mulheres fabulosas, uma evangélica e outra católica (ambas com medo de ir para o inferno firmando-se em suas fés) e não foi a admiração enorme que tenho por elas que tornou um “quase mulher” ou um bom cristão. Não, eu não sou travesti e já expressei aqui não ser contra. Mas irritam-me certas ignorâncias enraizadas em nossa cultura desde que se contam os anos. Eu conheço inúmeros homossexuais com exemplos tão admiráveis de pais e familia quanto o meu, muitos talvez até bem melhores. O ponto é que ter um pai ou não em nada influencia na condição (já afirmei que detesto o termo “opção”) sexual. Embora eu (também já comentei isso aqui) seja o típico caso de bixinha criada pela avó a maior parte da vida, com muito orgulho sim, isso não me fez mais ou menos gay. Até por que, embora muito mimado pela avó sim, fui muito desencorajado a assumir-me (e até hoje ainda não me assumi pra ela e assim ficou subentendido) pois enfrentei um choque de gerações muito grande. Mas se assim fosse todos os gays seriam unica e exlusivamente criados por mulheres e as lésbicas seriam somente as moças criadas com exemplos masculinos? Pura ignorância afirmar isso, não?
Não que eu não queira ser como as mulheres fortes que me criaram, elas foram a base de inspiração para ter o mesmo espírito guerreiro delas (embora não me considere metade do que elas são, mas talvez o tempo me traga os atributos necessários). Mas embora criado afastado de meu pai (por fatos que demorariam muito para serem digitados = descartáveis), também tive exemplos gloriosos, meus tios que sempre foram excelentes substitutos (e até hoje são). Com ou sem exemplos masculinos, admirando ou não as mulheres e os homens que nos cercam e nossa formação, sabemos que nunca vamos fugir ou desviar de quem somos. A essência ou condição, ou seja lá o que nomeamos, é sempre mais forte que qualquer influência externa.

Nem todos os gays…

Nem todos os gays gostam de Divas do mundo pop. Nem todos os gays são vulgares. Nem todos os gays sabem se vestir bem. Nem todos os gays são fashionistas. Nem todos os gays são afeminados. Nem todos os gays querem sair dando pra todo mundo por aí, muitos querem mas não todos. Nem todos os gays são assumidos, assim como nem todos os gays têm de ser reservados ou enrustidos (respeitemos as diferenças entre nós né bees). Nem todos os gays curtem serem chamados de gays, veados (viados), bixas, bees e tantos outros, afinal de contas cada um tem um nome civil. Nem todos os gays querem ser “uma quase mulher”. Nem todos os gays sabem lutar por igualdade sem invadir o espaço do outro e denegrir a imagem do todo. Nem todos os gays entendem o que é ser gay e usam sua condição como chave pra vitimização, extravasar o exibicionismo e mal comportamento. Nem todos os gays querem uma vida glamuroza, mas a maioria quer uma vida digna e com direitos iguais. Nem todos os gays levantam a bandeira da homossexualidade pois a maioria dos gays já a ergueu, botou fogo e mostrou pra todo mundo como estragar a bandeira. Nem tudo está perdido pois nem todos os gays sentam e assistem o circo pegar fogo sem se levantar e pegar a mangueira (com ambiguidade por favor)  para acabar com o incendio. Nem todos os gays são iguais, mas garanto que todos seriam melhores se ao menos a tão sonhada igualdade estivesse mais próxima. Mas sejamos otimistas, muito já se conquistou mesmo que nem todos os gays sejam preocupados com isso.

Dicay: Livro – SEXO: MUITO PRAZER 2

E pra quem está querendo saber mais sobre um assunto que nunca se sabe o bastante (até mesmo para os melhores estudiosos), uma boa dica (que estréia o dicay) é o livro SEXO: MUITO PRAZER 2. A terapeuta sexual Laura Meyer da Silva (quem tive o prazer de conhecer na Feira do Livro de onde moro, em 2009) aborda diversos temas delicados e que geralmente habitam as mentes de 9 entre 10 pessoas com vida sexual ativa (ou não).  Como base para o livro a autora explora assuntos questionados em seu consultório, tais como ejaculação precoce, falta de desejo, menopausa, uso de medicação, literatura erótica, ponto G, iniciação sexual e homossexualidade (claro).
É um livro dedicado a quem gosta do assunto, está sempre curioso e (é claro) com a mente aberta (sem preconceitos ou tabus). Também pode ser um ótimo presente de Natal, afinal de contas quem nunca teve alguma dúvida sobre sexo??? Aliás sexo é uma eterna exploração.
EU RECOMENDO.


Queimem as bixas, deixa queimar…

Em dias em que ex-gays surgem aos montes nas mais diversificadas mídias expondo sua bela história de vida transformada pela religião (nunca vi algum dizendo que deixou de ser gay de outra forma, mas com certeza existe), eu já não sei dizer se isso é piada ou autodiscriminação (tão grande a ponto de não si amar como é). Ano passado já havia aparecido uma tal psicóloga que afirmou ser capaz de nos “curar”. Hoje está em alta que religiosos nos tragam a “salvação”. E amanhã quem anunciará ter descoberto um novo avanço anti-homossexual capaz de nos livrar do mal (amém)? Os cientistas? Temo que já o tenham feito.

Detesto ir contra a religião alheia, mas está insuportável  todo esse movimento cristão que desde o inicio dos tempos (ao menos da era d.c.) domina as cabeças sem direção na sociedade. As pessoas estão esquecendo de sua individualidade e do sentir-se bem, que para mim é a verdadeira manisfestação da Divindade. Não estou pregando que saiam fazendo todo tipo de atrocidades e justifiquem com a satisfação ao fazê-lo. Prego pela causa: sem causar danos à minha saude mental e física e sem prejudicar ao próximo sinta-se livre para ser feliz. Tenho uma religião que satisfaz e me dá liberdade (que me exige responsabilidades) para me amar como eu realmente sou, sem que me policie, e não saio pregando-a como salvação única do universo (particularmente odeio proselitismo).

O respeito à liberdade e individualidade de verdade de cada um está escasso. É mais fácil ir lá e espancar uma criatura diferente de mim do que dizer: ok te aceito? É preferível ser ignorado do que simplesmente odiado por não ser o modelo de cidadão social cristão? Porquê se for mais fácil assim podemos simplesmente ficar quietos, como os injustiçados sempre fizeram. O “penso logo existo” já foi “penso logo me calo”, em um mundo governado pela ignorância no passado.

Devemos mesmo continuar calados enquanto padres pedófilos e pastores ladrões têm mais direito que cidadãos de bem???. Mas se o fizermos estaremos batendo o martelo e proclamando: Culpados, queimem os gays enquanto damos uma folga às Bruxas! Mas “quem ordena a execução não acende a fogueira” como canta @pittyleone.

Um brinde ao amor

No sábado passado meu namorado e eu estivemos em uma janta só entre amigues (sim, nós e mais dois gays) para um papo furado e alguns drinks. Dois dias antes desta noite completamos 2 anos e 5 meses de namoro e pensando nisso eu fiquei um bom tempo pensando em alguma surpresa. Confesso que minhas surpresas são geralmente previsíveis, mas desta vez decidi fazer algo simples. Logo após o jantar ao abrir uma garrafa de bebida eu decidi propor um brinde, este brinde só foi realizado após o seguinte discurso:
Há dois anos e cinco meses eu descobri o que é o amor. Antes eu definitivamente não sabia, vivia sofrendo por paixões passageiras e pessoas erradas. Renan Rau não é a pessoa certa, sinto decepcioná-los, é a pessoa perfeita. Entende minhas limitações, ou ao menos as respeita, releva meus defeitos, ou apenas os ignora e se supera a cada despertar e a cada beijo ou palavra de amor. Tem o apetite sexual mais forte do que qualquer um e sabe transformar sexo em amor desde o primeiro toque da preliminar. Me enlouquece com o sorriso mais cativante, infantil e carinhoso que eu já conheci. Reacende a minha chama da paixão como quem acorda cada dia, facinho facinho. Aprendeu a me decifrar e me colocar em meu lugar na hora certa e é assim que eu quero que seja pelo resto de meus dias. Me doando e aceitando as doações de amor dele, eu o quero para marido. Não tenho certeza se já aprendi como se ama ou se existe forma certa de amar, mas por ele eu quero tentar e correr cada risco. Então vamos celebrar este que é só o inicio do amor mais lindo que o mundo já viu, comigo?

Esta foi apenas umas das várias declarações de amor que eu o fiz, mas com certeza a mais simples e marcante. Ao digitá-la deu até vontade de brindar novamente ao amor que (segundo todos que nos conhecem) é o mais lindo de todos. Um brinde a nós, ao amor de todos os casais e ao amor próprio (que é o primeiro passo pra permitir-se ser amado)!

Orgulho gay, hétero, bi … todos são démodé

Acho que uma das maiores autoviolações que podemos cometer é ter orgulho. Não daquele que sentimos quando fizemos algo que superou uma limitação pessoal e nos preencheu de satisfação, mas sim aquele que pode magoar aos outros ou tirar qualquer um do sério.
O orgulho é uma das mais odiáveis maneiras de se sentir superior, muitas vezes sem reconhecer que isso é o mais puro reflexo da inferioridade. Ofendemos os que estão a nossa volta quando o temos. Acontece somente por capricho, não querer dar o braço a torcer, não mostrar vulnerabilidade, fraqueza ou até mesmo falsa humildade.
Seja ao não pedir desculpas, ao ignorar a existência de alguém que tenhamos nos desentendido, até mesmo não aceitar aquele convite ou dinheiro emprestado, o orgulho é sempre mesquinho. Parece que vem muito da falta de consciência de que somos todos iguais: humanos que vão morrer e feder. Não reconhecemos o valor do próximo e o nosso próprio quando agimos guiados por esse sentimento desprezível.
Não estou levando a questão por ser alguém livre de orgulho, bem pelo contrário, aprendi muito com isso e continuarei a aprender. Mas escrevo para resgatar esse combate contra isso, que querendo ou não, bate a porta de todos nós diariamente.
Nos casais gays se torna ridiculamente intrigante e risível. Quem vai pagar a conta? Quem vai dar o braço a torcer? Quem vai ser o mais “homem”? Já é necessário ser muito macho para ser gay e ainda vamos nos apegar a estes detalhes? Sejamos mais conscientes, menos cabeças duras. Todos temos que ceder, ou ao menos deveríamos.

Obs: Escrever este post foi uma “consulta no analista”. Conclusão: vou ceder mais.