Orgulho gay, hétero, bi … todos são démodé

Acho que uma das maiores autoviolações que podemos cometer é ter orgulho. Não daquele que sentimos quando fizemos algo que superou uma limitação pessoal e nos preencheu de satisfação, mas sim aquele que pode magoar aos outros ou tirar qualquer um do sério.
O orgulho é uma das mais odiáveis maneiras de se sentir superior, muitas vezes sem reconhecer que isso é o mais puro reflexo da inferioridade. Ofendemos os que estão a nossa volta quando o temos. Acontece somente por capricho, não querer dar o braço a torcer, não mostrar vulnerabilidade, fraqueza ou até mesmo falsa humildade.
Seja ao não pedir desculpas, ao ignorar a existência de alguém que tenhamos nos desentendido, até mesmo não aceitar aquele convite ou dinheiro emprestado, o orgulho é sempre mesquinho. Parece que vem muito da falta de consciência de que somos todos iguais: humanos que vão morrer e feder. Não reconhecemos o valor do próximo e o nosso próprio quando agimos guiados por esse sentimento desprezível.
Não estou levando a questão por ser alguém livre de orgulho, bem pelo contrário, aprendi muito com isso e continuarei a aprender. Mas escrevo para resgatar esse combate contra isso, que querendo ou não, bate a porta de todos nós diariamente.
Nos casais gays se torna ridiculamente intrigante e risível. Quem vai pagar a conta? Quem vai dar o braço a torcer? Quem vai ser o mais “homem”? Já é necessário ser muito macho para ser gay e ainda vamos nos apegar a estes detalhes? Sejamos mais conscientes, menos cabeças duras. Todos temos que ceder, ou ao menos deveríamos.

Obs: Escrever este post foi uma “consulta no analista”. Conclusão: vou ceder mais.

  1. Olha, não vou deixar de discordar de ti, orgulho realmente é algo muito feio, principalmente porque coloca o ser “orgulhoso” em volta de uma redoma, o tornando uma fonte inatingível de auto-suficiência. Mas também temos que analisar uma famosa frade de Paul Valéry: “Agradar a si mesmo é orgulho; aos demais, vaidade.” Será então que devemos nos desapegar 100% de toda a nossa “redoma” de orgulho e passar a aceitar todos os agrados (mesmo que sinceros) vindos do mundo externo, mesmo que não nos agrade, apenas para não demonstrar orgulho? Orgulho em excesso é errado, SIM! Mas em falta também é, isso gera um desequilíbrio enorme dentro de uma pessoa, e a torna sempre extremista, ou ela torna-se auto-suficiente e torna-se orgulhosa e sozinha, ou ela aceita “favorezinhos”, “presentinhos” ou “ajudinha” e torna-se vaidosa e dependente do mundo e com complexo de companhia, por nunca conseguir ficar sozinha, tendo que sempre estar com uma tripa de gente atrás dela.
    Eu acredito que o equilíbrio é a melhor forma de manter a mente sem tranquila e sem culpa, devemos ter pulso firme ao tomar decisões e saber o que realmente queremos, não depender dos outros e nem desprezar-mos totalmente as pessoas e o nosso relacionamento psicossocial, até porque, mais cedo ou mais tarde poderemos “necessitar” de certas pessoas, cedo ou tarde.

    • Andreia
    • 13 novembro, 2010

    Não ao orgulho exagerado!!!!!!!!!

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